
Sensação de posse. Querer, ir, pegar, ter, estar, ser e possuir. Ninguém gravou seu nome aqui, você não assinou nenhum documento, não há legalidade sobre a posse disso. Não adiantou retrucar, ela gritava 'MEU!'. Não havia como escapar, suas unhas me prendiam naquela ilusão, o modo como puxava meu cabelo, eu disse à ela, mas não podia me ouvir. Minha voz não saia, minha masculinidade gritava, mas ela me ouvia? Quem dera se ouvisse! O barulho da música não permitira interferência de fora, mesmo que não me tatuasse, seus dentes faziam com que ela escrevesse seu nome em minhas costas, ela me sussurrava 'você é meu, apenas meu'. Me sentia como uma doença, um vício, mas não conseguia pará-la, realmente eu era um objeto nas mãos daquela insana. Era como se eu estivesse cego e mudo, mas a minha cegueira permitia vê-la tão perto de mim que poderia dizer que era eu, queria gritar, queria parar, mas minha voz não saia. Obcecada por mim, obcecada pelo meu cabelo, alucinada pelo lugar, drogada por minha pele, obcecada por aquilo que sentia. Usado, jogado, ela fazia de mim um escravo, como? Ela jogava sempre do mesmo jeito e eu sempre perdia, ela usava os meus truques e eu sempre caia.
Foi quando ela me disse "por favor, obcessão [...] fique comigo" e eu percebi que algo tinha mudado, foi quando saiu de minha boca "sim, eu te amo".
modificado http://moonv.blogspot.com/2009/01/obcesso.html
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