Eu enfrento a mim


Saio de casa, lá fora está chovendo. Estou descalça, desprotegida, procurando por algo. Sinto a água gelada a me encharcar, mas estou quente. Vejo pessoas se escondendo embaixo de coberturas, enquanto outras estão em casa tomando chocolate quente. Olhares espantados tomam conta de mim, ando tranquilamente enquanto o céu se emborrece, castigando a terra. Enquanto uns morrem e outros nascem, ando sem direção. Uso um falso sorriso, sigo pelo chão molhado achando que não poderei me enfrentar.
Me vejo vindo em minha direção, o medo toma conta de mim. Eu venho coberta, calçada, protegida por um guarda-chuva. Vindo em minha direção, puxando-me pelos braços, me chacoalha com revolta dizendo verdades, desmascarando-me com indelicadeza. E sem escolha, me entrego a mim mesma sem tirar minha razão.
Eu, me olhando nos olhos, desabo a chorar. A chuva já não gelava mais, as lágrimas que vinham daqueles olhos já eram suficiente para me queimar por dentro.

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