A garota

O tempo vai apertando, o ar acabando, perde-se todas as espectativas e esperanças. Os dias são todos iguais, nada mais é capaz de surpreendê-la. 


Andando pelas ruas da pacata cidade, olhando as pessoas ao seu redor, o coração aperta. Tudo a faz lembrar de que não deveria estar ali, a faz perguntar-se a si mesma se tudo o que acontece deveria mesmo acontecer. Sentimento de erro é constante, nada parece certo. Os pés já não estão confortáveis em andar tanto, ela procura por algo que dificilmente encontrará, pois nem sabe o que procura. 
Com a expressão cansada, os cabelos bagunçados com o efeito de um vento que nem mesmo sabia de onde vinha e pra onde ia. Sentou. Pode parar para pensar, olhou o céu que já se escurecia e pode perceber que o barulho daquele lugar já não fazia efeito, pois nem isso ela podia escutar. 


São os outros ou ela? Seu sistema nervoso sempre abalado, quem ela poderia culpar? Sentindo um vazio, sempre incomodada, quem ela poderia buscar? Perdida nos pensamentos que tem, não quer mais voltar. Qual seria a solução para tudo aquilo? Ser mais passiva e compreenssiva? Talvez devesse aceitar que pessoas não podem satisfazê-la e nem sempre corresponder à suas espectativas, ou não. Talvez pudesse entender que demonstrações e atos não são nada de mais quando já se tem o que quer, ou não. Lágrimas inquietas queriam sair, mas não permitiu. 


Algo já não fazia efeito, sentimentos em excessos sufocavam, mas não conseguia libertá-los, aliviá-los. Mil perguntas sem respostas, pobre coitada, mal entende o que lhe ocorre. Não é capaz de entender que o que quer compreender não está em seu campo de conhecimento. Sentiu-se mais cansada do que estava, uma vontade de gritar lhe passou pela mente, mas não conseguia, se quer, mover-se. Acredite, toda a tentativa foi em vão. Qualquer plano para melhoras, qualquer tentativa para voltar, foi descartada. Tão rápido, cansaço, deveria estar feliz, pois havia vencido a garota que se dizia tão forte.


Levantou-se, decidiu deixar tudo como sempre esteve e que se talvez tivesse uma oportunidade faria de si alguém melhor, mas não consigo colocar muita fé, a mente dela é tão confusa e instável que prefiro não apostar. Pegou um ônibus, lotado, por alguns minutos sentiu estar num lugar tão vazio quanto a ela, chegou a seu destino e andando, com poucos passos, chegou a sua casa. Entrou, não comprimentou ninguém, nem sabia para onde olhava, tão fixamente, deitou-se e percebeu que precisava, mais do que nunca, chegar a uma conclusão, a uma solução antes que seja tarde de mais. 


Foi então, que decidiu escrever..


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/03/garota.html

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