Trecho

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faço das palavras dela, as minhas.
Tatie <3

O que parece

Eu não sei pra onde você vai. Eu não sei o que você quer. Eu não sei o que você faz. 
O tempo se perde na nossa dimensão. Chega a parecer desconhecido, estranho. 
E ao tentar quebrar, você faz questão de permanecer. Eu não sei por onde começar.
Você não precisa voltar pra casa, não tem ninguém te esperando por lá. 
Eu já sei que o telefone não vai tocar e a porta não vai se abrir.
Não é possível que depois de tanto tempo eu ainda precise guiar. 
Chega a parecer desconhecido. 
Esquecido.


Histórias românticas

Esqueçam as histórias românticas! Elas só servem para fazer com que tentemos ter uma vida irreal, para que sejamos o que não podemos ser. O amor é simplesmente algo vago e provavelmente a maioria de nós não pode senti-lo. Senti-lo é perigoso.


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/11/esquecam-as-historias-romanticas-elas.html

Todas as coisas

Desejo ser todas as coisas para qual você dá importância.
Desejo ser os teus olhos pra ver o mundo como você. 
Desejo ser sua boca pra entender as suas palavras. 
Desejo ser qualquer coisa que faça você sorrir, que te faça chorar. 
Quero ser o seu corpo, sua mente pra te entender. 
Quero ser aquilo que recebe seu esforço, pro qual você se dedica. 
Eu desejo a sua alma, pra poder te sugar. 
Quero ser toda a melodia, para poder te encontrar.


 Você tem tudo pra me fazer feliz, mas não pode me oferecer nada.

Pra generalizar o sentimento

Todos nós sentimos as mesmas coisas, não no mesmo tempo e nem com a mesma intensidade, mas em algum momento da vida sentimos.

Sorriso completo

Eu não estava lá, mas eu vi. Eu vi o seu sorriso completo e cheio de ilusões, aberto e largo igual aquela mentira escancarada. Pude reparar em cada detalhe da sua beleza, uma armadilha feita pra mim. Como um material que se deteriora lentamente você vem me desgastando a cada minuto. 
Ocupando espaços da minha vida sem pedir licença, acabando com o que poderia ter restado de mim. E agora é tão tarde quanto ontem. 
Sempre é tarde de mais. 
Como se alegria recolhesse a nós, pra não me alcançar. A sua presença é ausente. E já não podemos mais ser um. É como se eu soubesse que preciso ir embora, mas insisto em ficar. E em qualquer momento, você sorria, com o mesmo sorriso completo e cheio de ilusões criada por um amor que se tornou vilão, o sorriso aberto e largo igual as mesmas mentiras escancaradas que você diz e ainda implora pra que eu acredite, sempre. Perigo é eu me esconder em você. E é você que eu não conheço mais. Ao fechar os olhos, verei o seu mesmo sorriso completo. Verei a mentira.

Eu sou

Sou de tudo um pouco, estou em qualquer lugar.
 Sou nada quando quero e sou tudo quando não planejo.
 Não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos, não vou renunciar a mim nenhuma parte, nenhum pedaço, do meu ser vibrante, berrante, sujo, livre e quente. 
Eu quero estar vivo e permanecer te olhando profunda e eternamente.


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/11/eu-sou_20.html

Cazuza

Porque ele disse tudo o que sempre quis dizer. Tudo o que não tive coragem. Digno da minha admiração.


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As mentiras




Somos as mentiras que guardamos pra nós mesmos, forçamos situações para agradar. Quem somos nós? Deixamos de ser o que realmente somos para manter as relações. 
Eu tenho me calado diante de você, e tenha certeza de que você deveria me agradecer por isso. Tenho me cegado diante das suas ações, para que eu não tivesse certeza de que já deveria ter ido embora. Você é a mentira que guardo pra mim. Por tanto e tanto tempo tenho tentado estar imóvel diante disso. Mas agora me tornei o nada, apenas o nada que espera o nada vindo dos seus braços. Aqui neste lugar você não pode mais me ver.
Eu sou a mentira que guardo pra você.


Não preciso mais disso.

O que você diz

Lá vem eles chegando com cautela, metade ao pé do meu ouvido esquerdo e a outra metade sob meu ouvido direito. Me dizem coisas das quais não deveria saber, me dizem coisas que realmente não me interessam. Palavras que escorregam pela minha espinha, que se colocam diante de meus olhos, ainda são as mesmas palavras. Queimam a minha alma e querem fazer de você, meu inimigo. Não adianta mais lutar. Eu insisto em voltar. Não me diga por onde andar, não diga o que não quero ver. Continuamos lutando e você tenta me convencer,
 só não se esqueça que o que você diz, é só o que você diz.

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Estrada


Eu poderia começar com uma grave acusação ou poderia também dizer que não me importo. Quem sabe, se fosse ontem, poderia escrever sobre as esperanças que tinha, dizer que não vou desistir, dedicar isso tudo à nós. Quem sabe, se fosse amanhã, poderia dizer que tudo isso é passado e que não vale a pena escrever nada relacionado a isso. Mas hoje, escolhi apenas escrever algo que não se encaixe no ontem nem no amanhã. Eu deveria estar em pânico, quem sabe estou um pouco. Mas já estive pior. Eu lhe disse que assim seria, avisei que isso era realmente cansativo, mas você fez [quase] tudo para que eu tirasse essa idéia, aparentemente anormal, da minha mente. E não, não estou surpresa. Realmente vinha me preparando para isso, me preparando para a nossa falta de companheirismo.


Hoje estarei anestesiada. Agindo dessa forma não tenho nada a ganhar, mas quem sabe, não tenho a perder também. Ontem, com certeza, teria dito que estou me esforçando e esperando ansiosamente para que você corra ao meu lado. Mas hoje, consigo ver que, talvez, você ficaria imóvel se eu seguisse um caminho diferente, me assistindo correr sózinha. 
Não sei o que fazer, mas também não sei se quero realmente saber.

O desabafo e o conselho

Tenho tentado respirar, mas isso me sufoca, me prende, me mata por dentro. Canibais de nós mesmos, sinto que morreremos. Pegue suas armas e acabe com isso, pois eu tenho andado sem munição. Tenho raiva de mim mesma por ser tão fraca, você tem andando tão tranquilamente, sem se preocupar. Você não pode mais me ver, você não pode me ouvir e agora está tão longe o suficiente para não me entender. O que eu deveria achar? O que você esperava? Você está longe o bastante para me entender. Tenho ido contra mim, contra minha mente, contra minha opinião. Tudo para me adaptar. E agora? O que deveria fazer? Me pegando desprevenida, roubou de mim todas as minhas armas. As lágrimas secam, a alegria acaba, a lua some, o sol não brilha, as forças se despedaçam, a esperança se vai. Ninguém quer ceder. Ninguém vai correr. Canibais de nós mesmos, sinto que vamos morrer. Um sacrificio criminalmente vulgar, isso não foi o bastante pra sustentar. Famintos de compreensão, sedentos de amor. O amor que não se vê, que não se toca, que não se sente.
Vocês eram tão jovens, por que se desesperaram? Ela era só uma menina com medo e ele um garoto aventureiro. Ela o tem preso em uma gaiola e ele vem matando as esperanças dela. Por onde vocês acham que andarão? Onde querem chegar? Não adianta mais chorar. O erro está muito fundo para se consertar. São apenas duas crianças tentando pensar como adultos. Vocês são tão jovens, por que estão assim? Agora nada pode lhes curar. Ela é tão incompreensiva e ele tão desligado. Não há conselho que posso lhes dar, não há o que falar. Vocês estão cegos e surdos o suficiente para não me ouvirem. Morrerão aos poucos


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/09/o-conselho.html

Amanhã



Eu me sinto a vontade com a sua ausência. Você tirou tudo o que havia em mim. Mas amanhã será outro dia. Amanhã será diferente, não haverá mais sombras. Minha mente será filtrada e então será tarde de mais. Amanhã me levantarei e farei de mim algo melhor. E não me importo se morrerei ou se precisarei deixar todas as caixas acumuladas que guardei por tanto tempo. É como uma cadeia alimentar, mas você não estará mais no topo. Amanhã, eu sei, haverá sol. Todos os seus comandos serão em vão, suas tentativas fracassarão. E quanto mais você me quebra, mais eu quero me reconstruir. Você não está mais apto, por que faz disso uma guerra? Hoje chove, hoje está escuro, hoje talvez as esperanças tenham acabado. Mas amanhã não... 
Amanhã não serei mais eu que escreverei.

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Sobre metade de mim




Olhos cansados, aparência fraca, estou sempre fora daqui. Vivo desligada da fantasia e não me importo com o mal, então não me peça responsabilidade nem me faça pensar sobre algo relacionado a vocês. Eu não sei se estou mentindo, não conheço mais a verdade, então tudo vale! Não preciso ser, eles já são por mim.
Tudo o que eu queria ser está a milhas daqui, em algum lugar mais familiar.
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Eu enfrento a mim


Saio de casa, lá fora está chovendo. Estou descalça, desprotegida, procurando por algo. Sinto a água gelada a me encharcar, mas estou quente. Vejo pessoas se escondendo embaixo de coberturas, enquanto outras estão em casa tomando chocolate quente. Olhares espantados tomam conta de mim, ando tranquilamente enquanto o céu se emborrece, castigando a terra. Enquanto uns morrem e outros nascem, ando sem direção. Uso um falso sorriso, sigo pelo chão molhado achando que não poderei me enfrentar.
Me vejo vindo em minha direção, o medo toma conta de mim. Eu venho coberta, calçada, protegida por um guarda-chuva. Vindo em minha direção, puxando-me pelos braços, me chacoalha com revolta dizendo verdades, desmascarando-me com indelicadeza. E sem escolha, me entrego a mim mesma sem tirar minha razão.
Eu, me olhando nos olhos, desabo a chorar. A chuva já não gelava mais, as lágrimas que vinham daqueles olhos já eram suficiente para me queimar por dentro.

Somos

O céu é amplo e existem tantas estrelas que a imaginação não seria capaz de nos dizer a verdade. Somos a migalha no meio do banquete. O mundo é vasto, onde sobra tanto espaço que não poderíamos andar e chegar num fim. Somos uma gota no meio do oceano. E ainda nos sentimos poderosos, olhando apenas pra nós mesmos, somos pobres seres humanos no meio do infinito. Seres egocêntricos, cada um lutando por si, matando o irmão, destruindo o meio, fugindo pro vazio. Cegos, conduzidos por tudo o que é hostil, vagamos, andando em círculos. Somos nada no meio de tudo, o ponto no meio do texto. 


Somos o que passou.

A entrega



Contei à você todos os segredos, dei-lhe a visão do que viria. 
Te mostrei todos as falhas e fraquezas, dando à você todas as chances possíveis.
 E agora você me diz para não procurar e deixar tudo por si só. Agora você vem me dizendo que exagerei e pensei de mais. Aproveitastes da minha entrega, mesmo que não fosse por mal. E agora estou completamente vazia, sem armas.


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Confusão

O ar sufoca, a água queima, o ódio supõe e o amor destrói. Sinto saudade do que nunca tive, lembrando momentos pelos quais nunca passei. O alimento não preenche, a tristeza finge um sorriso e a alegria faz cair uma lágrima. Onde deveriamos estar? Penso o que quero evitar, cedendo o que não quero dar. O tempo que parou, a vida que morreu, posso enxergar as sombras. A luz que me assombra, a escuridão que me ilumina. Não posso voar, mas estou flutuando sobre o chão que perdi. Procurando soluções sem ter nenhum problema. O quieto se agita, perdendo a minha vitória. E os meus olhos fazem renascer o que já morreu, agora a lógica não possui mais sentido. Estamos todos perdidos.


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Decepção

É como sofrer um acidente, estou quebrada ao meio. 
O jardim está sem flores e as sementes se dissolveram. 
O céu escureceu a partir do momento em que você decidiu me tomar. 
Sentiu-se na autoridade de manipular, me julgando por mentir. 
Mas não entende que vivemos a maior mentira de nossas vidas.
É como dormir e não acordar, pois já estou morta.

O meio da visão

Eles estão no meio e eu de escanteio.
É como não querer se misturar. 
Nós somos de épocas diferentes, eles são divergentes. 
Não há mais nada que se possa fazer. 
O café está passado e desce queimando minha garganta. 
Pensei ter visto problemas, mas eles não eram nada comparados a mim mesma. 
Há um horizonte que avisto da minha janela, 
mas agora ele está longe demais.

Durante a noite



Hoje acordei e havia um bom garoto ao meu lado, eu não tinha mais motivos para chorar. Era um lindo lugar, havia algo em meu dedo anelar que brilhava. Me levantei, abri as cortinas, o sol brilhava. Era uma casinha perto da praia com um enorme quintal. Ele se levanta e me abraça, pegando-me desprevenida, me beija e vamos para a cozinha. Preparo o café-da-manhã e após a refeição decidimos andar um pouco. Vejo um céu colorido por um azul intenso, a brisa toca meus cabelos e é como se eu pudesse realmente respirar de novo. E quando acho que estou andando só, sinto alguém tocar minha mão pra me alcançar nos passos, sorrindo pra mim e apontando para um único lugar o qual até agora não sei qual é. Foi então, quando achei que poderia estar enxergando aquele lugar, eu acordei e vi que nada daquilo era real. O céu ainda estava escuro e a lua ainda brilhava.

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Por tudo

Por todas as promessas que você nunca cumpriu, por todas as mentiras que você já disse, talvez eu volte a repensar. 
Por todas as vezes que olhou nos meus olhos. Nunca quis entender de verdade. Essas são as únicas palavras que digo e que penso em amanhã escrever, como de costume. Escrever em qualquer lugar pra qualquer um ler. 
Por tudo que já tentei ser. 
Por todas as vezes que não enxerguei, não quis enxergar. Quando você está fora do meu plano, do meu alcance, é como se estivesse... Fora, apenas fora. Seria estranho, muito estranho, se nós desvendássemos todos os mistérios, os segredos, de uma vez só, sem correr o risco, sem correr atrás.
Por todas as vezes em que mesmo que tudo isso acontecesse e que essas palavras não possuissem significado nenhum ou o pior significado você ainda me amou.

Sunday Morning - Lily Allen (modificado)


Domingo de manhã, nós estamos deitados na cama. Só nós dois, encobertos. Sem menos um aviso você se tornou mais do que um amante. Eu tenho esperado a muito tempo pra você me dizer isso. Tenho patinado num gelo fino se eu não concordar. Sei que você é o cara pra mim, mas isso me pegou de surpresa e se eu disser isso a você não vou conseguir olhar-te nos olhos. Não quero te perder, não quero te confundir. Eu acho que essa é minha dica pra te responder. Tenho pensado no que você me disse, três palavrinhas que não saem da minha cabeça. Não há ninguém além de você com quem eu queria estar. Acho que o que estou tentando dizer é "eu te amo".


Dedicado à Thamiela

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Última vez




Me beije desesperadamente, nunca se desvie dos meus olhos, diga qualquer coisa, se apegue a cada detalhe, me toque como se eu fosse a última mulher da terra, diga que me ama como se fosse um forte argumento. Me trate como se tudo fosse acabar amanhã e desconsidere tudo o que tentei ser.
 Eu sei que parece o que não se diz, no seu caso é o tempo passar. 
Quanto tempo passei te olhando, te tocando, pra ver se era real. Onde deixei minhas lágrimas? São orgulhos que se ferem de tal forma, ninguém vai ceder. Eu cansei de ser assim, não posso mais levar. Se tudo é tão ruim, por onde devo andar? Não quero ir, não vou. 
Apenas descanse e respire bem fundo, meus braços estarão no mesmo lugar. 
Me trate como se eu fosse a última na face da terra e 
desconsidere tudo o que tentei explicar.


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Orgulho

A fé é pouca, contente-se com o que resta. 
Você culpa o meu orgulho, nunca precisou se desculpar! Mas hoje, hoje não haverão lágrimas. 
É melhor você aprender a rastejar, antes que eu vá embora. Não há perdão que me faça esquecer, nem letras bonitas para provarem. 
A fé é pouca, contente-se com o que sobrou dela. 
E agora, eles se afogarão nessas lágrimas.

Ele nunca foi

Do tipo romântico e nem sempre estava ao alcance. 
Um sorriso talvez, as mãos entrelaçadas, quem sabe.. 
Ele nunca disse o que eu queria ouvir. 
Mas muitas vezes o que queremos ouvir não é necessário que seja dito. 
Estou feliz, porém com lágrimas nos olhos.
E por incrivel que pareça, eu o amo.

Venha por mim

Você só gosta de mostrar "vantagem", então não faço parte dela. Ou você mente pra mim, ou mente pra eles. Sempre pedindo pra que eu corra, mas você não consegue nem se levantar.


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Não diga nada




Não diga que faria tudo por mim, é realmente cansativo. Tudo por nada, muito por pouco. E aliás, tenho procurado pelos seus olhos, implorado suas ações, desejado o tempo todo a sua atenção, mas como castigo pela minha ignorância recebo o vazio para que eu não mude nunca. Há muito tempo que quero olhar nos seus olhos e não chorar, dizendo tudo o que sempre quis, mas na hora em que tenho essa oportunidade as palavras me fogem e nem tenho mais a certeza de antes.
Você diz que largaria tudo, diz que é muito, profere as palavras mais lindas e promessas que se parecem com guloseimas: deliciosas e saborosas, mas que podem estragar os dentes.
Eu sei que você é pra mim, mas constantemente você me pega de surpresa e se eu disser isso de volta não irei conseguir olhar-te nos olhos. Não quero te perder nem confundir, mas tenho patinado num gelo fino. 
Esses erros que você cometeu, vai cometê-los de novo. Então ponha a mão em sua consciência e respire. Há muito tempo que quero te abraçar e não sorrir, ouvir uma música e não lembrar de você. Há muito tempo tenho desejado não me doar tanto. Mas estou aqui, do mesmo jeito, fraca e com os mesmos erros. 


Não diga que faria tudo por mim, porque a cada vez que você tenta me iludir mais vou me desgastando. E se tiver que fazer isso, apenas não faça. Talvez eu esteja sendo egoísta o suficiente pra te querer por inteiro, mas tenho me sacrificado tanto que sinto que não restará mais nada de mim. Eu quero acreditar em você, nas suas promessas e quando você diz que tudo ficará bem. Eu quero acreditar, mas não hoje. Então não diga que estou inclusa, não diga que faço parte, não diga que sou tudo.. Amanhã talvez seja diferente.


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Batalha

Para sua consciência, cercas de arame farpado não me impedirão. Não passamos de covardes tentando fingir que queremos lutar. Mas eu não estou aqui para deixar tudo para trás. 
Você é tão cansativo, mas não pense que pode me deixar ir. 
Somos cumplices e inimigos, nos reerguemos e logo estamos ao chão. 
Nossa guerra é de sangue, nossa guerra é nos lábios, nossa guerra é contra tempo e contra nós. Uma batalha e nossos olhares que se cruzam e se evitam. 
A chuva do céu se encerrará pra ver nosso depois. Não temos platéia. 
E nessa batalha não há premiação nem classificação, se você cair eu cairei, se eu morrer você morrerá. Você é tão assustador e cansativo, mas não pense que te deixarei ir.

Sobre minha mente




Minha mente vai me mostrar, as vezes vejo o que ninguém vê. Estou aqui e também do lado de lá, quem já foi pode entender. Não sigo ninguém, no meu escritório não há pedestais, não termino o que começo. Somos todos seres humanos, errantes, hipócritas e mentirosos, por que devemos idolatrar aqueles que são feitos de carne e osso como nós? 


Não sei preferir algo ou alguém, não há primeiro lugar no meu jogo, os vencedores são momentâneos e não amo nada que seja material. Admito, admiro o que é bom ou não, o inteligente e o que não possui lógica. Sem idolos e algo fixo, gosto do instável e avulso, sinto vontade pelo o que é difícil de ser tocado.


Minha mente me engana, me mostra, me deixa pensar o que bem entendo e nem se preocupa em me censurar. Explicações são boas, mas nem sempre necessárias. Vivo em mundos confusos e cruzados entre o que penso e o que vejo, entre a imaginação e a realidade. O que sabemos sobre a verdade? Surpreendo-me, então o que posso saber sobre o resto se nem sei de mim? Olho tudo com cautela, observo atentamente, me interesso por aquilo que ninguém se interessa, gosto dos detalhes. 
Agora nada me prende, apenas sufoca.

O resumo

"Sou o filho e o herdeiro de uma timidez criminalmente vulgar. Sou o filho e o herdeiro de nada em particular. Me desculpe por nunca ter dito tudo que eu queria dizer e agora é tarde de mais, pois só eu sei porque não volto pra casa"

Sobre estar só




Ninguém pode fazer com que eu me sinta completa, não podem enxugar minhas lágrimas. Estive parada neste lugar por tanto tempo, me disseram que eu deveria esperar. Ainda estou aqui, apagaram-se as luzes, todos se foram e ainda espero sózinha por algo, mas o que? Aceleram o meu tempo, não me deixam se quer respirar. 
Sempre achei que estava cercada de todos, sempre pensei que via apenas a verdade. Mas hoje eu sei, que não resta nada além de mim. Estive me apoiando em tanto braços, em tantos ombros e agora não consigo nem me manter de pé. Esse lugar já foi mais iluminado, sobrevivi a tantas turbulências e hoje, simplesmente, me sinto vencida.
 Me importei tanto com sentimentos, com alegria dos outros, em dar o melhor de mim para alguém. E agora estou aqui, com as mãos vazias e lágrimas que transbordam do meu rosto sem meu consentimento. Ainda sinto o mesmo que ontem, nada mudou, os dias são iguais. Se eu ficar ou se eu for, não fará diferença alguma.


 Não podem fazer com que me sinta completa, não podem me fazer sorrir. Então estarei aqui, sózinha, esperando por algo que não sei o que é e nem sei quando vai chegar.


 Se eu não acredito em mim, em quem irei acreditar?


http://moonv.blogspot.com/2009/07/sobre-esta-so.html

Cidade dos Sonhos


Nossos pés nos levarão onde ninguém chegará, caminharemos a um futuro que ninguém saberá. E depois de tantas atrações, um grande espetáculo, as cortinas se fecharam e estamos aqui apenas para contar o que vimos. Contar sobre o céu que vimos, as estrelas que contamos. Sobre as bobeiras que rimos e pessoas que encontramos. 


Nossos segredos e juramentos feito apenas nesse mundo paralelo, o pacto que fizemos sobre tudo o que passamos. As vezes que choramos na ida, que choramos na volta. O inferno que se tornava um pedaço do céu, esse sempre foi nosso escape. Onde viamos felicidade e magia, onde tudo girava em torno de nós mesmas, onde as coisas ruins que passávamos era apenas para dar um conflito na história. 


E pensar que já fomos mais felizes. Felizes ao conhecermos, cada dia, um rosto novo em um lugar tão pequeno. Felizes ao criarmos trilhas sonoras para cada pedacinho da nossa caminhada, dos nossos momentos. Felizes em sabermos que tínhamos onde repousar e que haveria sempre alguém pra nos proteger. E mesmo não sabendo se podíamos ou não confiar, sorriamos com sincerade, conversávamos com facilidade, nos aproximando de quem quer que fosse, naquele bonito lugar.
E nesses rostos que pareciam sempre tão familiares, encontramos aqueles que se tornaram tão especiais. Como um contato ingênuo e bom, criamos laços. Não sabemos por quanto tempo durarão, mas podemos sentir que o tempo que for durar, será bom. Onde em todas as fotografias, vemos pessoas sorrindo. 


Só nós sabemos que o vento de lá não é como o daqui. E com o ar tão puro, de um lugar humilde, encontramos paz. A paz que não se acha em qualquer lugar, a paz que não se vê. Encontramos o amor, seja por quem for, um amor que não se vai tão cedo, mas não fica até tarde. Um amor que não se acha em qualquer lugar, um amor que não se vê. Encontramos laços perdidos e até desconhecidos. Como um mundo desconhecido, mas o tinhamos na palma de nossas mãos.


E onde está? O que esquecemos de dizer? O que deixamos de fazer? Lamento, mas é um tempo que não vai mais voltar. E o que será? O que virá? Se tudo tomou um rumo estranho, se tudo mudou. Onde estão todos aqueles laços e sorrisos? Por onde deixamos nossa magia? Se tudo aconteceu tão rápido, deveria ter, ainda, mais tempo pra acontecer. Mas agora, só podemos guardar em nossa memória falha tudo de bom que passamos, tudo de bom que encontramos. Deixarei escrito todos os nossos sorrisos, guardarei comigo todos os bons sentimentos. 


E mesmo que estejamos expulsas do paraíso, terei em nossa memória tudo o que pudemos aproveitar e viver, mesmo que jamais volte atrás. Não é algo que se possa explicar e resumir, todas as sensações e a harmonia deste lugar. O que nos resta é o inferno, o lugar de onde saímos e tivemos que, todas as vezes, voltar. A alegria se foi, a magia se acabou. O que nos restou, agora, é saudade de algo que 
não pode, não vai e não quer voltar.

modificado http://moonv.blogspot.com/2009/07/cidade-dos-sonhos.html

Sem merecimento de título




Pacificamente, terminarei isso com minhas próprias mãos. Vocês mudam suas mentes, mas eu continuarei aqui. 
Algo novo e dificil de explicar. Posso sentir, todas as palavras perfurarem meu corpo, já não tenho saída. E agora me dizem que enfrento as coisas de maneira errada? Não há chances pra quem já morreu. Todos dizem que precisamos sonhar pra sermos alguém. Sonhos... Tudo o que eles fazem é ficar no seu caminho. Prefiro não ser nada. E nesse negócio, sou o filho e o herdeiro de uma timidez criminalmente vulgar, não me mostrem os contratos que preciso assinar. Sou o filho e o herdeiro de nada em particular, não me procurem mais por este lado, não posso oferecer mais nada. Permaneço intacta, perdi minha sombra e minha voz, o que eu poderia fazer se tudo o que eu vejo é o resumo do nada? Comida sem gosto, sede que não cessa, tudo está fora do lugar. Por onde deveria andar se nem sou capaz de sair daqui? Não me pergunte de onde estou vindo, não sei nem para onde vou. 


Quem devo culpar? Eu ou vocês? Tenho um sorriso tão falso quanto um sonho bom. O que exatamente vocês querem dizer? Não há mais nada para acreditar, a verdade se foi, meus olhos se fecharam. Sempre há um vazio que não se preenche, um espaço que me falta. O que eu deveria dizer? Dizer que está tudo bem? Se ao menos conseguisse me erguer, talvez poderia olhar em seus olhos e dizer que aqui está tão frio como minha alma.


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/07/sem-titulo.html

Não faço parte disso


Eu não faço parte, não me insiro neste meio. Me pergunte o que quiser, já estou por fora disso. Penso sobre as palavras, reflito sobre as ações, sem chegar a nenhuma conclusão. Não me chame, não estou mais no mesmo lugar. Não conte comigo, não posso mais te ajudar. Eu simplesmente não faço mais parte disso, descartando todas as probabilidades e sorrisos. Aos poucos fui me sentindo retirada daquele meio em que você me inseriu com tanto cuidado e agora não tenho para onde ir. Restando apenas uma única solução, 
perder-te para me encontrar.

http://moonv.blogspot.com/2009/06/eu-nao-faco-parte-disso.html

Subentendido




Chego ao final do dia, mais um dia se passou e eu nem percebi. Conto minhas histórias para espectadores vazios, não posso ser clara com ninguém. Há algum tempo que vejo e ouço verdades, dias atrás escutei que eu vivia sempre no "subentendido", pois tudo o que dizia e queria que vissem deveria estar "subentendido".
Isso me fez pensar. Todos os dias contando verdades à paredes, engolindo a seco todas as lágrimas e palavras, me conformando com situações que não posso mudar. Penso que, com aquilo, era o melhor que eu podia fazer para exprimir a sensação de angústia provocada em mim pelas palavras dele de vez em quando. Deixo subentendido.


http://moonv.blogspot.com/2009/06/subentendido.html

Roteiro




Como um roteiro escrito pelas mesmas mãos e no mesmo lugar, me vejo lendo e relendo as mesmas palavras. Hoje pela manhã recebi aquele mesmo envelope velho (acho que não se dá o trabalho de comprar um melhor), apanhei o mesmo e subi as mesmas escadas. Peguei meu café e sentei na velha poltrona, ao abrir aquele envelope eu já sabia tudo o que ia ler, não sabia o por que do meu interesse, mas esperava recebê-lo todos os dias em diante. Lia todas as palavras com precisão e ao fazer isso, tinha a mesma reação, a garganta apertada, os olhos cheios de lágrimas ao se dirigem ao final e como todas as outras vezes, eu amassava aquele papel sem ler as ultimas linhas. 


O medo tomava conta, era só um roteiro, mas não era só um roteirista. Tomava de uma vez aquele café amargo e quente que rasgava minha garganta, deixando para trás o mesmo papel, me dirigia a janela para observar o que eu não vivia. Enxergava apenas sombras que instigavam a minha imaginação para o meu mundo fechado, respirava fundo, sabia exatamente a minha situação, estava tudo muito claro. Mas era conveniente que eu ficasse no mesmo lugar, eu juntava pilhas de envelopes e sacos com muitos papéis amassados vindos do mesmo lugar e do mesmo escritor, pra que mudar agora se posso ter a certeza do amanhã? Presa aqui, sei que nada de mal me acontecerá, sei que não vou perder o que tenho e posso ter plena convicção de tudo o que vou sentir.


 Foi então que nessa reflexão desvantajosa, percebi que precisava escolher entre deixar toda aquela papelada tomar conta da minha casa ou ler todas novamente até o final, antes que o próximo dia chegasse. Me direcionei até o espelho, eu vestia a mesma cor de vestido todos os dias, meu cabelo era bagunçado e sempre do mesmo jeito, foi quando lembrei-me de uma caixinha que deixava na pentiadeira. Abri a mesma e pude ver algo que brilhava, guardei aquilo por tanto tempo e já não o usava mais, um lindo colar que havia ganhado a muitos anos atrás. Decidi colocá-lo e, ao me olhar novamente para o espelho, percebi que meus olhos brilhavam. Arrumei meu cabelo e coloquei um vestido branco que havia usado numa bela ocasião da qual nem me recordava mais. Fui para a sala, sentei-me de frente para todos aqueles papéis e estava decidida que leria um por um, ao pegar a primeira folha, ouço uma voz desesperada que havia aberto a minha porta grotescamente, era grossa e pedia para que eu não fizesse isso. Dirigi meu olhar para ele e para minha surpresa, o roteirista se aproximava sem pedir licença, pegou minha mão e me levantou dizendo que eu não poderia ler o final e que ele me escrevia sempre as mesmas palavras, sabendo que eu não leria o final, podia sentir o hálito de cigarro e seus olhos molhados e apertando minha mão, sem delicadeza, disse que eu era o seu roteiro e o único motivo pelo qual ele escrevia. Pensei comigo mesma "todo esse tempo ele em previa, sabia todos os meus passos e lia sem a minha permissão todos os meus pensamentos" e abaixei minha cabeça, ele não entendeu e pediu pra que eu dissesse algo. 


Abri um curto sorriso e, sem olhar em seus olhos, com um dos papéis na mão, disse àquele homem que havia me formado por tanto tempo:
-Tudo bem, não lerei esse final, mas também não serei mas personagem de suas histórias.
Ele me olhava sem saber o que fazer, tomei a ultima xicara de café e lhe beijei, segurando-me com sua doce voz pediu para que eu ficasse. Simplesmente não proferi uma palavra se quer, decidir conhecer tudo o que apenas via daquela velha janela. 


Com passos lentos e firmes, comecei a escrever o meu próprio roteiro.


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/06/um-roteiro.html

A mentirosa liberdade (resumo)

Estamos presos numa rede de falsas liberdades. Parece que do começo ao fim passamos a vida sendo cobrados: "O que você vai ser? O que vai estudar? Já transou? E ainda não bebeu?" Talvez a gente possa escapar dessas cobranças sendo mais natural, cumprindo deveres reais, curtindo a vida sem se atordoar. Nadar contra toda essa louca correnteza. Ter opiniões próprias, amadurecer. É possivel estar contente sem cumprir tantas obrigações fúteis e inúteis, como nos ordenam os mitos e mentiras de uma sociedade insegura, desorientada, em crise. Liberdade não vem de correr atrás de "deveres" impostos de fora, mas de construir a nossa existência, para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo.Não temos de correr angustiados atrás de modelos que nada têm a ver conosco, máscaras, ilusões e melancolia para aguentar a vida, sem liberdade para descobrir o que a gente gostaria mesmo de ter feito. Luft Lya, 25 de março, revistaveja.

O vazio do não



Não quero, não busco, não me interesso, não me preocupo, não ligo, não procuro, não preciso, não tenho nem quero ter, não dou, não recebo, não compro, não vendo, não alugo. Não vou e nem quero ir. Não volto, não peço, não falo, não me calo, nao ouço, não compreendo, não entendo, não sou justa, não quero obrigações, não quero compromissos, não choro, não sorrio. Não ando, mas não paro. Não sigo, não desvio, não quero horários, não me prendo, não solto, não crio, não copio. Não sei nem quero saber. Não satisfaço nem quero me satisfazer, não me expresso, não guardo, não obedeço, não respeito, não sinto vontade, não sou real, não sinto nem quero sentir. Simplesmente, não sou nada, logo, não sei se estou mentindo.
Tenho medo de descobrir.
http://moonv.blogspot.com/2009/04/o-vazio-do-nao.html

A garota

O tempo vai apertando, o ar acabando, perde-se todas as espectativas e esperanças. Os dias são todos iguais, nada mais é capaz de surpreendê-la. 


Andando pelas ruas da pacata cidade, olhando as pessoas ao seu redor, o coração aperta. Tudo a faz lembrar de que não deveria estar ali, a faz perguntar-se a si mesma se tudo o que acontece deveria mesmo acontecer. Sentimento de erro é constante, nada parece certo. Os pés já não estão confortáveis em andar tanto, ela procura por algo que dificilmente encontrará, pois nem sabe o que procura. 
Com a expressão cansada, os cabelos bagunçados com o efeito de um vento que nem mesmo sabia de onde vinha e pra onde ia. Sentou. Pode parar para pensar, olhou o céu que já se escurecia e pode perceber que o barulho daquele lugar já não fazia efeito, pois nem isso ela podia escutar. 


São os outros ou ela? Seu sistema nervoso sempre abalado, quem ela poderia culpar? Sentindo um vazio, sempre incomodada, quem ela poderia buscar? Perdida nos pensamentos que tem, não quer mais voltar. Qual seria a solução para tudo aquilo? Ser mais passiva e compreenssiva? Talvez devesse aceitar que pessoas não podem satisfazê-la e nem sempre corresponder à suas espectativas, ou não. Talvez pudesse entender que demonstrações e atos não são nada de mais quando já se tem o que quer, ou não. Lágrimas inquietas queriam sair, mas não permitiu. 


Algo já não fazia efeito, sentimentos em excessos sufocavam, mas não conseguia libertá-los, aliviá-los. Mil perguntas sem respostas, pobre coitada, mal entende o que lhe ocorre. Não é capaz de entender que o que quer compreender não está em seu campo de conhecimento. Sentiu-se mais cansada do que estava, uma vontade de gritar lhe passou pela mente, mas não conseguia, se quer, mover-se. Acredite, toda a tentativa foi em vão. Qualquer plano para melhoras, qualquer tentativa para voltar, foi descartada. Tão rápido, cansaço, deveria estar feliz, pois havia vencido a garota que se dizia tão forte.


Levantou-se, decidiu deixar tudo como sempre esteve e que se talvez tivesse uma oportunidade faria de si alguém melhor, mas não consigo colocar muita fé, a mente dela é tão confusa e instável que prefiro não apostar. Pegou um ônibus, lotado, por alguns minutos sentiu estar num lugar tão vazio quanto a ela, chegou a seu destino e andando, com poucos passos, chegou a sua casa. Entrou, não comprimentou ninguém, nem sabia para onde olhava, tão fixamente, deitou-se e percebeu que precisava, mais do que nunca, chegar a uma conclusão, a uma solução antes que seja tarde de mais. 


Foi então, que decidiu escrever..


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/03/garota.html

Deixe

Deixe tudo como está, que morra primeiro que chegar lá. Seu jogo não me agrada, todo dia, sete dias a mesma coisa. Vai e volta, ainda não enxergo nada. As palavras que se soltam são levadas em questão de segundos, então não há resultado algum. E eu que queria tanto ver, não tenhos mais motivos para querer enxergar. Deixe tudo como está, se conseguir, mude o primeiro que chegar lá.

O dom de enxergar




Nós, seres humanos, temos uma capacidade incrível de enxergar apenas o que nos convém. Por exemplo, há aqueles que conseguem enxergar a necessidade e o sofrimento de crianças carentes, outros não. Há coisas que posso enxergar, mas nem todos são capazes do mesmo. Assisto a uma grande novela, uma peça de teatro, a cada dia um novo capitulo. Enquanto os atuantes são em grande quantidade, posso ver pouquíssimos sentados ao meu lado em fileiras de banco, vazias. Do mesmo jeito que somos capazes de enxergar apenas o que nos convém, somos capazes de escolher entre sermos a platéia que tudo vê ou os atores que, cegos, a muitos enganam.


As vezes sinto que não nasci para viver nesse mundo, não sou justa e muito menos compreensiva, mas certas coisas que acontecem a minha volta, me atingem de tal forma que não consigo me conformar em momento algum com esse fato. Vejo que nada poderia ser tão complicado como parece ser, me pergunto por que, no mundo em que vivo, tudo é assim? Nossos olhos não foram feitos apenas para enxergamos imagens. Através de um olhar, temos o dom de enxergar o sentimento, a verdade. Para que me conformar com tudo, se tenho o dom de enxergar e mudar o que me cerca? Virtuosos são aqueles que conseguem enxergar o essêncial, que não se vê a olho nu. Nossos olhos escondem segredos e mistérios que muitos jamais enxergarão. Para mim, não há nada mais belo e mais sincero que o dom de enxergar e de usar, em sentimento e alma, nosso olhar.

Um trecho

Hoje minhas palavras decidiram tirar férias, então aproveitei a oportunidade para postar um dos trechos mais lindos do livro que mais gosto "Amarga Herança de Leo":
"Dali a três semanas todos voltariam a Silvestre, pois a Epidemia ia se apresentar no ginásio de esportes local. Eu nem vinha, tinha prova na segunda-feira, mas na última hora surgiu uma carona de uns amigos de vó Ema e decidi aproveitar. Ainda bem; do contrário teria perdido a cena mais emocionante dos meus quinze anos. Cheguei atrasada, na hora em que terminavam de tocar uma daquelas músicas da minha parceria com Leo. Era a primeira vez que a ouvia e abri caminho entre a moçada, emocionada, tentando chegar na frente. Quando consegui, aconteceu a coisa mais linda que eu nunca poderia esperar. O número seguinte era Exagerado,do Cazuza; o público se agitava e gritava para Leo, que estava lindo com uma faixa amarrada na cabeça. Ele já dançava no ritmo, aguardando a entrada, e -- vi bem -- me localizou na platéia, acenou para mim e olhou dentro dos meus olhos quando começou: 'Amor da minha vida/ Daqui até a eternidade/ Nossos destinos foram traçados/ Na maternidade...' E se eu ainda tivesse alguma dúvida de que era a mim que ele se dirigia, na estrofe seguinte, enquanto cantava 'Te trago mil rosas roubadas/ Pra desculpas minhas mentirar/ Minhas mancadas..." um buquê materializou-se em suas mãos, Leo o jogou nos meus braços e, em seguida, numa manobra rápida e inesperada, me puxou para o palco e me deu um beijo na boca na frente de toda aquela gente... Quase desmaiei!... O público aplaudia, delirava, subia nas cadeiras e cantava junto com ele. E eu, zonza, feliz, envergonhada, sem saber o que fazer, comecei a cantar também. Rato e Nílton tocavam loucamente, alguém subiu no palco e outras pessoas foram fazendo o mesmo. Cantávamos juntos e abraçados ali em cima, todos pulando, quando de repente Leo disse no meu ouvido, bem carinhoso:
-Quer namorar comigo? Lady Marian, Flora-Lucy, minha parceira cósmica... Já esperamos tempo demais, você não acha?
Acreditem, choro toda vez que leio. Apenas para registrar.

A Pintura




Eu possuía um pincel, algumas tintas e uma tela, foi quando comecei.
Não quero ser a pessoa que todos aspiram ser, não quero vestir o que todos procuram ter, não quero participar dos olhos que todos usam para crer, pensar como todos esperam ponderar com o que chamam de “mente”. Porque o que vale mesmo é andar na contra mão quando todos querem o mesmo sentido. Tanta coisa podre, tanta coisa ruim, tanta gente perdida. Onde achas que está seu coração agora? Minha tinta vermelha, para esse caso, acabou.
Engolidos pela fantasia de que tudo vai melhorar, tampamos os próprios olhos para propagar a mentira. Quem são vocês? Eu perguntei-lhes mais uma vez. Eles nem se quer se voltaram para mim, mas sorriram novamente, como se quisessem que eu sugasse a resposta em minha mente. Tantas eram as máscaras, que me perdia nesse carnaval de inverdades. Pude notar o putrefato das carnes daqueles que foram condenados e corrompidos por esse veneno, que, por incrível que pareça, é desejado pelos ignorantes de coração.
Que a minha vontade era gritar, agora é de calar. Não há mais valor algum em dizer o que os influenciados precisam ouvir, eles não dariam a mínima de atenção. Porém, ao mesmo tempo, me grita a pretensão no peito de ir até eles e lhes abrir os olhos, mostrar que o mundo em que eles se prendem não é real como parece. Rabisquei o que era possível para não pintar indevidamente a verdade que precisavam ver.
E quando achei que não precisava mais me importar, pensando que dessa vez havia achado a chave para que eu pudesse sair desse mundo, foi quando eles me mostraram brutamente e sem piedade alguma da minha agonia, disseram: “Quando achar que achou, lembre-se: Eles mentiram para você.”.
Então, caí. Do céu azul que eu pintei, me surpreendi, ao pegar o mesmo pincel e sem o meu consentimento, sem minha vontade, comecei a pintar a minha queda. Pude sentir meu coração acelerado, tentei me ludibriar, mas as mentiras escaparam. Quando menos esperei, já tinha concluído a obra, a um passo do inferno, me dei conta que pintei e borrei os meus pecados, minhas discrepâncias, meus desacertos. Eles gritavam. Desnorteada, não pude encontrar as minhas cores, o preto e branco dominara aquela tela.
Olhei ao meu redor, não estava sozinha. Ali ocorria o maior carnaval global, todos estavam usando suas respectivas e caracterizadas máscaras, que eles moldavam para se embelezar da mentira. Tudo revolvia, eu estava completamente sozinha. Foi quando eles me encontraram, me disseram que eu poderia trafegar entre minhas obras, ou seja, tanto o meu céu fantasioso quanto aquele inferno autêntico, mas que aquele seria meu lar por um bom tempo. Mesmo não sendo uma alternativa tão afável, pude respirar.
Fiquei ali, sentada, assistindo o que eles haviam introduzido em meu quadro, esperando uma lacuna para que eu pudesse trocar de lado. Minha agonia era clara, me esforcei tanto para pintar essa tela, quando vi, já não entendi mais nada, não havia mais nada. Foi quando percebi a chegada de alguém numa situação parecida com a minha, pude ver meu reflexo nos olhos desse ser, me indagou “Quem são eles? Eu achei a saída?”, tristemente, respondi “Eles não se voltarão a você, mas sorrirão novamente, querem que você sugue a resposta no que você chama de ‘mente’. Quando achar que achou, lembre-se: Eles mentiram para você”.

Nosso pecado




De nossos pecados, lembrei-me de todas as vezes em que erramos, das vezes que caímos e nos julgamos. Mas isso é quase uma vaga lembrança que trivializa os meus pensamentos, o que me recordo mesmo é das vezes que acertamos, que levantamos e nos perdoamos. Você me dizia que não era errado, mas também não era certo, retornando ao meu paradoxo. Quantas vezes escostastes o seu nariz no meu para que pudéssemos nos respirar? É como se eu pudesse enxergar o que existe através do ar.
Não vale a pena lembrar de coisas que nos apodrecem, não vale a pena errar, nem apontar isso. Quantas vezes o meu silêncio pedia para que você me torrasse a paciência, que você chamasse a minha tenção, quantas vezes? 
Quis que você colasse em mim, que fizesse de mim uma insana! Que me surpreendesse e me mostrasse que nunca vou acertar em nada sobre você. Que me abrisse os olhos pro mundo, que me enxergasse como ninguém. E por sinal, sem que eu dissesse nada, foi o que você fez.
E quando restar apenas nós, exijo que o seu pecado seja o mesmo que o meu, porque talvez você entenda o que quero dizer. 
Exijo que pequemos juntos, para que eu possa me lembrar que será apenas eu e você, o meu veneno, seu vício, nosso pecado.


modificado http://moonv.blogspot.com/2009/02/pecados.html