Casa vazia


Está um dia tão bonito lá fora e me deparo com você sentado no sofá, descalço. Estou com olheiras e estou de camisola tom rosa pouco atraente, paro pra reparar em nossos cabelos desarrumados, estamos descalços e você acha isso lindo.
Você olha pra mim e me propõe um sorriso tímido, devolvo-o de modo recíproco. Tão simples e tão espiritual.
Vejo você se mover, levantando-se e vindo em minha direção. Desvio o olhar. Você vem e me abraça, quando vejo já estou em seus braços, estamos cheirando a nós mesmos, é quando te beijo.
A cena parecia durar horas, dias.. 

De repente você me solta e anda em direção ao quarto, me sinto incapacitada de te seguir. Você se arruma, se ajeita, respira fundo, demora e eu ainda estou ali, encostada na parede fria.
Você toma suas coisas e logo está olhando pra mim, tento me enganar, você diz que me ama e me beija na testa. Logo estamos parados nos olhando,  há tanta seriedade e me contenho para não chorar.
Respiramos tão devagar e tão juntos que parecia até combinado.
Eu tomo sua mão como se fosse o único meio de te implorar para não ir embora, você a aperta mas logo solta como se fosse o único meio de me dizer que chegamos ao fim. Mas eu sorrio e você também. Você anda em direção a porta e quando a atravessa, para. Para e olha pro chão. Esperei por olhar pra mim, mas não. Eu não sai do lugar. 
Você continua e quando menos percebo ouço o som do portão se fechando.
Não sei pra onde continuo olhando, não sei por onde recomeçar.
Não existem lágrimas. Sem arrependimentos. Só imagens.
Você me disse que nunca, nunca esqueceria essas imagens, não. 
Cumpra apenas essa promessa porque agora a casa está completamente vazia.
Vazia. 
A casa está vazia.
A cama está vazia.
Eu estou.
Estou vazia.

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