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A falta que ela faz

"Você me prometeu, numa daquelas noites de insônia, que jamais nos separaríamos e que mesmo que todos fossem embora, sobraria nós duas. Mas me diz então, pra onde você foi? Que nunca mais recebi seu telefone pra tomar um café contigo às quatro horas da manhã."
Sofrer pela falta dela é pior que qualquer história de amor clichê que eu poderia ter com um cara qualquer.

Volta


Volta, mas volta correndo, que ainda há tempo de ser feliz. Volta e faz um pacto comigo, daqueles sem motivos, só pra juntar os dedos cortados. Volta, pra termos crises de riso na madrugada, para perdermos a noção da hora, pra perdemos o caminho. Vem logo que o café está esfriando, deixa a sua papelada e o salto alto, vem de chinelo e traz tua alma, que eu quero você inteira, discutindo comigo porque discordamos sobre quantas estrelas ainda existem no céu.

Mas caso você não voltar, não vá sem antes me dizer quais são as coordenadas pra aprender a ir dormir sem pensar no quanto as coisas seriam mais fáceis do teu lado.

Perda de tempo

Eu consentiria com o fato de você me usar para satisfazer teus prazeres se eu pudesse usá-lo pra suprir minha carência emocional. Nenhum dos dois casos é justo que se faça, desde que aja um acordo. Caso não tenhamos um, nada temos a oferecer um ao outro, logo, estamos perdendo tempo.

Carta de despedida


"Hugo, meu querido.

Chega vai. Pega tuas coisas, não esquece tuas canecas, agora elas só servem pra esfriar meu café. Vai, sem delongas, faço questão de esquecer tuas demagogias, vai sem culpa. Eu é quem devia pedir desculpas, porque no final das contas, acabei te usando só pro meu prazer. Assim com você também fez. Então estamos quites. Assim estamos conversados. Não é raiva, eu juro. É apenas a paciência que já acabou, essa ladainha toda cansa demais a alma da gente. Os mesmos erros, o mesmo tempero, todo mundo um dia precisa mudar de rumo pra ver se consegue ver o sol nascer de um outro ângulo.
Então vai sem medo, meu amor, vai ser feliz. Que eu não sei te amar, então deixa as contas, eu me viro pra pagar. Vai, que eu não sei te aceitar, então devolve minha chave e leva as canecas pra nunca mais voltar.

E vê se te cuida, que eu nunca soube te cuidar."

Com descuido,
Liza

Uma canção para você


Estive em muitos lugares, mas sempre por pouco tempo. Esperando por novos lugares e por um pouco mais de tempo. Eu tenho cantado muitas músicas, feito rimas ruins. Atuando para um público vazio, usando meu amor em estágios. Mas estamos sozinhos agora e eu estou cantando esta canção para você.

Eu sei que a imagem que você criou de mim, é o que eu espero ser. Te tratei indelicadamente, mas meu bem, você não pode ver que não há ninguém mais importante pra mim? Por favor, você não pode ver através de mim? Porque nós estamos sozinhos e eu estou cantando esta música para você.

Você me ensinou segredos preciosos sobre quase tudo nesta vida. Você saiu em frente enquanto eu me escondia, mas agora me sinto melhor com minhas palavras reunidas novamente.

Antes de me deixar, ouça a melodia. Meu amor está lá escondido. Eu te amo em um lugar onde não há espaço nem tempo, e nessa minha vida você tem sido um amigo. Quando ela acabar, lembre-se de quando estávamos juntos. Estávamos sozinhos e eu estava cantando esta canção para você.

Quando acabar, lembre-se de quando estávamos juntos.

Texto baseado na música “A Song For You” da cantora Amy Winehouse.

Chega de "porque"


Porque mulher de verdade… Porque homem de verdade… Porque amor de verdade… Acho engraçado a necessidade que as pessoas têm dessa “auto-afirmação”, de querer estipular uma lei, colocar um rótulo, para apenas beneficiar a si mesmo ou mostrar ser algo que não consegue ser. E é por isso que não conseguimos aceitar pessoas diferentes de nós, porque estipulamos um critério do que é ser ou sentir algo de verdade e quando encontramos pessoas que são ou que sentem fora desse padrão, recuamos, rejeitamos e por fim, julgamos.

Então, peço encarecidamente, deixemos de blá blá blá e procuremos viver mais. Que essa vida é muito curta pra perdemos o tempo procurando um padrão pra nos encaixarmos.

Palavras de uma noite mal dormida


Olha só que horas já são, amanhã acordo cedo para mais um dia de trabalho, mais um dia nublado, onde a mente não abre espaço para visitantes. Me sinto apenas confusa. Acho que é normal quando sua vida dá uma volta de 360º, quando você dorme amando e acorda desgostando, quando você dorme cega e acorda enxergando, quando dorme sob nuvens e acorda sobre o mar.
Simples como deveria ser, mas não é. Escrever é a única maneira de resolver e organizar as ideias, quando não se pode agir nem chorar. E eu que antes era tão chorona, hoje só sei resolver as coisas no papel, com os olhos bem secos, com a mente bem aberta. Livre.
Eu que jamais pensei poder querê-la tanto por perto e pedir para que ele fosse embora. Quando foi que planejei ser eu mesma? Não me lembro, mas me sinto livre para ser o que quiser.

Mas ainda estou treinando, aprendendo a não ser o que as pessoas querem que eu seja. Aprendendo a ser sozinha, mas ainda peço à vocês, fiquem comigo só mais essa noite.

É que a gente não cabe no espaço que o mundo nos deu. Somos maiores.

De quem é a culpa?


Quando penso que estou sempre culpando meus pais por aquilo que sou ou pelo o que deveria ser, me sinto culpada. Mas então paro para refletir no trecho da música de John Mayer, que fala “Pais, sejam bons com suas filhas/Filhas amarão como vocês amam/Meninas se tornam amantes que se transformam em mães/Então mães, sejam boas com suas filhas também”. Então somos isso, somos o que nos ensinaram. Herdamos jeitos, sonhos, trejeitos, desejos, manias e não podemos fugir do que está em nosso sangue.

Mas é aí que está, sou o que sou porque preciso ser assim ou sou o que sou porque realmente sou, porém gostaria de ser outra coisa? Duas perguntas que me fazem perder o sono e me perder no espaço vazio que é a vida. Tento, arduamente, todos os dias, guardar o passado e não esperar demais pelo futuro. Mas é a mesma coisa que tentar parar de morder a boca, ou os dedos: fracasso. Sei o que deveria fazer, mas não sei onde deveria estar. Não sei mais com quem poderia estar.

Essa é uma noite daquelas em que você dorme ao lado de alguém, seja sua mãe, seu namorado, sua melhor amiga ou aquele seu amigo que não te entende mas se dispõe a ajudar. E é a mesma noite onde não encontro ninguém, não há braços, não há colo, não há divisão de cobertas, não há sorrisos, não há lágrimas. O que me encontra agora é apenas o vazio. O vazio de deixar de ser, deixar de estar. E então, de quem é a culpa?

Amor mal-amado

Eu, que não sei amar ninguém. Quando me arrisco a tal, o faço ridiculamente e nem percebem. Eu, que não sei confiar em ninguém. Quando me esforço, o faço pela metade. E me pergunto como é que vão suportar meus olhos pesados se eu não ajudo a carregar os deles?
Deixa esse amor tão mal-amado pra lá.