Quando penso que estou sempre culpando meus pais por aquilo que sou ou pelo o que deveria ser, me sinto culpada. Mas então paro para refletir no trecho da música de John Mayer, que fala “Pais, sejam bons com suas filhas/Filhas amarão como vocês amam/Meninas se tornam amantes que se transformam em mães/Então mães, sejam boas com suas filhas também”. Então somos isso, somos o que nos ensinaram. Herdamos jeitos, sonhos, trejeitos, desejos, manias e não podemos fugir do que está em nosso sangue.
Mas é aí que está, sou o que sou porque preciso ser assim ou sou o que sou porque realmente sou, porém gostaria de ser outra coisa? Duas perguntas que me fazem perder o sono e me perder no espaço vazio que é a vida. Tento, arduamente, todos os dias, guardar o passado e não esperar demais pelo futuro. Mas é a mesma coisa que tentar parar de morder a boca, ou os dedos: fracasso. Sei o que deveria fazer, mas não sei onde deveria estar. Não sei mais com quem poderia estar.
Essa é uma noite daquelas em que você dorme ao lado de alguém, seja sua mãe, seu namorado, sua melhor amiga ou aquele seu amigo que não te entende mas se dispõe a ajudar. E é a mesma noite onde não encontro ninguém, não há braços, não há colo, não há divisão de cobertas, não há sorrisos, não há lágrimas. O que me encontra agora é apenas o vazio. O vazio de deixar de ser, deixar de estar. E então, de quem é a culpa?