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São 4:30 e eu ainda me sinto em êxtase. Sinto como se pudesse escrever mil coisas ao mesmo tempo e quando penso nisso meus olhos se enchem d’água. Meus dedos estão formigando, tudo está tão escuro lá fora e aqui há uma luz que eu não poderia explicar. Acho que fico assim toda vez que assisto um filme ou ouço uma música que fala mais de mim mesma do que eu poderia esperar. Então é quando as palavras se tornam parasitas que se instalam em minha mente aos montes, me sinto bêbada sem ter ao menos colocado uma gota de álcool na boca e confesso que isso seria um tanto interessante agora. Mas meu pudor não me permite fugir da sanidade. Não agora. Me pergunto se tem restado o que eu sou de verdade dentro de mim mesma, me pergunto se não tenho sido os outros demais. Palavras, eu as sinto sair de todo o meu corpo como suor. Transpirando palavras, epifanias, nostalgias. Confusa. E decidida por um momento que eu sei que vai passar. A vontade de chorar presa na garganta. Ninguém está me assistindo e ainda sim tento ser orgulhosa comigo mesmo, como se quisesse provar para mim mesma que chorar me tornaria fraca e só eu sei porque estaria chorando. Eu não vou escrever sobre você desta vez, porque é só isso que eu tenho feito. E eu? E eu? Pra onde é que eu vou? Onde é que eu fico no meio das minhas próprias palavras? Então isso é sobre mim. Percebo que não consigo sair dessa fantasia de que a vida vai se resolver por si só, sem que eu precise crescer e me mexer. Eu deveria tomar uma atitude, mudar. Mas quando isso me acontece eu só consigo não dormir e escrever. Porque eu sou feita é disso, de palavras.
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