Curta eternidade

Só eu sei o quanto somos lindos juntos, mas não somos feitos pra passarmos a eternidade, que todos dizem, juntos. E é aí que eu vejo que a minha eternidade durou apenas alguns anos, é onde vejo que o amor pra ser verdadeiro não precisa dar certo. A gente fica com essa concepção ilusória dos relacionamentos: o que é verdadeiro não vai embora, se foi embora, sempre volta. Sei lá, pra mim é tudo balela. O que é verdadeiro marca e é só isso. 
Eu fui verdadeira do meu jeito, eu dei a minha alma pra ele, mas isso não é sinônimo de que deveria ser “para sempre” e ele sabe disso.

O desconhecido


Chamar, olhar, chegar, sentar, falar, falar, beijar, falar, ir pra qualquer lugar, se amar, falar, se despir, falar, gritar, apertar, chorar, gemer, rir, lamber, falar, sussurrar. Mostrar toda a escuridão, todo o amor, ser pura, verdadeira, nua e crua só por um momento e depois partir.

Partir pro desconhecido, pro novo, pra qualquer lugar onde você não esteja.

O caminho da fuga

Me pergunto quando é que isso vai acabar.Tento fugir, mas tento da maneira errada. Sigo caminhos diferentes na tentativa de te apagar, mas quando faço alguma parada me pego olhando ao redor pra ver se você está lá. E fico parada, parada, esperando que outra vida chegue pra mim. Esperando que eu não precise me esforçar, porque no final de tudo eu tenho medo de ser outra pessoa sem você.

A verdade

Tantas foram as vezes que tentei te mudar. E hoje percebo que eu não te amava pelo o eu queria que você fosse e sim pelo o que você realmente era.

Imagens

Imagens. Elas estão por todos os lugares. Memórias. Sou prisioneira delas, de todas elas. Os insides, os flashbacks, estão em todos os lugares. Cada metro quadrado se torna um lugar nostálgico. E mesmo que doa, eu sei que nada disso me faria ficar mais um segundo aqui.

Quando se perde

Eu penso o quanto poderia ir em frente ou o quanto poderia voltar atrás. Meu orgulho me diz que se eu tomasse alguma atitude isso faria de mim uma perdedora, mas meu coração me diz que eu só tenho uma vida pra viver. E o medo, ah sim, esqueci do medo, o medo me diz que não sou capaz de tomar nenhuma decisão. Me perdi. E agora meu corpo está indo embora, está saindo desse lugar. Mas minha mente, minha mente continua intacta, minha alma se encontra parada nos momentos em que fui feliz.

É só isso que sinto

A questão é que não sinto falta de beijos, de alianças, de dia dos namorados juntos. Não sinto falta da popularidade, de pessoas interessadas apenas no status que eu posso oferecer, nem daqueles que estão comigo por acomodação. Sinto falta de alguém pra onde eu possa correr quando me sentir perdida, alguém pra me importar e valorizar, que seja reciproco e verdadeiro. Sinto falta de sorrisos, risos e segredos, confiar tudo sem me preocupar. É isso! Alguém que me conheça e me aceite, que não me abandone. Que me decepcione algumas vezes, alguém que me irrite e que minta pra me fazer bem. E isso tudo, isso tudo não se trata de namorado, se trata de um amigo, um amigo de carne, osso e pecados, assim como eu. Sinto falta de braços onde eu possa me sentir protegida sem precisar ter medo do amanhã. É só isso

Quando eu parti

E ela não disse nada, ela não disse absolutamente nada. Mas lágrimas escorriam de seus olhos, seu rosto ficou avermelhado, tudo estava desmoronando. Eu sabia que se fosse embora ela ficaria perdida, vazia e não acharia o caminho de casa, mas nada pude fazer. Foi uma questão de segundos para que tudo mudasse drásticamente. Dei à ela uma lembrança e a abracei, senti minha blusa encharcando rapidamente, eu a apertei em meus braços e repetia o quanto a amava. Eu sabia que isso não era o suficiente para acalmá-la, mas era sincero. Era preciso que tudo aquilo acontecesse. Segundos. 
Imagens e então, o fim. Eu a deixei e agora tudo o que me resta é dor.

Do amor

Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento, relações de dependência e submissão, paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor. Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida, explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já está pronto, formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor se manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado. O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo? Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores, o amor será sempre o desconhecido, a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido, quer ser violado, quer ser transformado a cada instante.
A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto, decidimos caminhar pela estrada reta. Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos e nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim. Não, não podemos subestimar o amor. Não podemos castrá-lo.
O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia. Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito. Sua força se mistura com a minha e nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu como se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha. Como uma aurora colorida e misteriosa, como um crepúsculo inundado de beleza e despedida, o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor, se estivermos também a devorá-lo.
O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo, me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a vida é feita, ou melhor, só se vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto. 



Extraído do CD “Eu falso da minha vida o que eu quiser”, Paulinho Moska.
"Para isso servem os livros, para caírem sobre nossas cabeças como pianos e estraçalharem, mesmo que temporariamente, tudo o que não for fundamental."
Antônio Prata.

O final dos textos

Tenho a mania intrigante de olhar os textos primeiro pelo final, não só os textos, mas os livros também e se algo realmente me chamar a atenção, volto para o início e começo. Talvez eu faça isso porque me interesso por finais, deve ser porque sempre me pergunto como isso tudo vai acabar, onde é que tudo vai dar. Mas só chegamos no final quando morremos, deve ser por isso que o final me interesse tanto. Por ele ser desconhecido. E o desconhecido me atrai.

Vermelho. Camelo, Marcelo.

"Às vezes, eu só quero descansar, desacreditar no escuro, ver o sol se por vermelho. Acho graça que isso sempre foi assim, mas você me chama pro mundo e me faz sair do fundo de onde eu to... De novo!"

O final - Parte I

Perdida. Mas sabia muito bem que precisava daquilo mais do que nunca. Tão simples e tão complexo ao mesmo tempo. Decidiu. Abriu a carteira e viu que tinha o suficiente. Preparou a pequena mala, leve apenas o básico, o necessário. Chamou um táxi. E antes de sair pela porta, olhou-se no espelho do corredor. Estava linda. Parou por um momento e falou consigo mesma "você sabe que precisa disso", levantando a mão direita, tocou no espelho, sorriu, seus olhos se encheram d'àgua. Respirou. Inspirou. Pegou suas coisas e saiu. Entrando no táxi, disse ao senhor motorista:
- Para o aeroporto, por favor.
Seguiu o trajeto olhando pela janela tudo o que estava deixando, pensou em tudo mais uma vez, mais uma vez ouvindo seu coração, que não sabe de nada, que a colocou em apuros. O céu fechou, nuvens escuras se aproximavam, estava óbvio que uma chuva forte chegaria. "É um sinal", pensou, "um sinal para que eu desista. Mas não vou ouvir, não vou desistir. Só eu sei o quanto eu preciso disso". O táxi parou, o senhor se virou para trás e disse:
- Senhora, chegamos.
Mas ela pareceu não ouvir, ficou olhando pela janela as primeira gotas caírem do céu. E quase gritando, repetiu o motorista:
- Senhora?
- Sim?
- Chegamos.
- Ah... Claro, é mesmo. - Pagou o moço e saiu rapidamente, como se fosse morrer se não chegasse logo ao local de desembarque. Mas não estava atrasada, não desta vez. Ela nunca foi o tipo de pessoa que chegava pontualmente nos locais, nunca gostou de ser pontual, mas desta vez era diferente. Chegara com duas horas adiantadas. Talvez fosse pra provar que não se atrasaria desta vez, que não ia desistir.
Correu para fazer o Check-in e todos os procedimentos. Se sentou, sabia que iria esperar um bom tempo. Não conseguia se distrair, não conseguia pensar em outra coisa se não naquilo tudo que estava fazendo. Sua cabeça parecia uma explosão de ideias, enxurradas de indecisões e pensamentos, não sabia o que sentir sobre isso tudo. Não mais. Foi quando olhou para a esquerda e viu uma pequena cafeteria, sim, era isso, precisava de um café! Se levantou e foi andando, em passos rápidos, para o local. Uma moça muito simpática a atendeu:
- O que vai querer pra hoje, senhora?
Sentiu tudo desmoronar, "o que vou querer pra hoje?", se perguntou, "vou querer que tudo dê certo, que eu tenha coragem, que ele diga toda a verdade e que seja tudo perfeito. Mas, mas não sei o que quero no final, não sei como quero que termine. Só quero que o amor hoje".
- Um café, por favor, bem forte e sem açúcar -- Respondeu, quase roca, desanimada porque estava pedindo um café e não o homem da sua vida. "Quem dera se fosse tão fácil pedir o que eu quisesse pra hoje" pensou.
Sentou nos banquinhos que haviam ali, esperou. Olhava pro relógio de pulso, que tanto odiava usar, quase que o tempo todo. Ela achava que estava com medo de perder a hora, mas não, não era disso que ela tinha medo, ela tinha medo era de tentar imaginar como que tudo aquilo ia acontecer.
O café chegou, finalmente, estava tão ausente do mundo real e perdida em seus pensamentos que nem percebeu que a bebida estava quente e foi logo aproximando a boca da xícara.
- Ah! Droga! -- Queimou-se. Se tinha algo que realmente a tirava do sério era queimar a língua. Acabou pedindo alguns cookies pra ver se conseguia tirar o gosto de "língua queimada" da boca. Foi quando um casal se aproximou da cafeteria, sorrindo e fazendo brincadeirinhas entre si, pediram capuccinos e alguns petiscos. "Que casal lindo" pensou e logo mil lembranças lhe vieram, mas sorriu, sorriu pra si, sorriu pro nada, porque sabia que já fora feliz assim, sabia o quanto aquilo era bom e, principalmente, sabia que odiava comer sozinha em qualquer lugar. A hora passou rápido e viu que precisava ir pro local de desembarque, pegou suas coisas e olhou pela última vez para aquele casal, sorrindo, mas com pensamentos desanimadores em relação à eles, como se indiretamente, sem que percebesse, quisesse prever que o futuro deles seria infeliz.
Correu, de novo, para uma fila enorme de pessoas que pegariam o mesmo avião que ela. Apresentou os papéis e documento para os senhores uniformizados, passou sua mala pela esteira, nada apitou, tudo bem, tudo certo. Seguiu a fila e logo estava dentro do avião. Pegou seu chiclete -- ela sempre masca chicletes quando viaja de avião porque aos fazê-los seus ouvidos não doem -- abriu, quase que desesperada e o colocou na boca. Escolhera uma poltrona na janela, fez questão, adora vez a cidade lá de cima, as luzes piscando, tudo pequeno, principalmente numa sexta-feira a noite onde tudo está movimentado em qualquer lugar. Ama viajar de noite. Ama a noite. Porque é nela que ela se encontra, é como se fosse composta de lua, estrela e escuridão. Vai entender. Adormece. Com a impressão de que tinha dormido apenas 5 minutos, olha no odioso relógio de pulso novamente e vê que já se passaram uma hora e que estão prestes a pousar. Esfrega os olhos e tenta arrumar o cabelo, desamassar a roupa com apenas o passar da mão sobre ela. Vozes. Parece que todos do avião "acordaram" com ela e que todos decidiram tagarelar. Mas ela não, ela está sozinha e só "tagarela" com sua mente, consigo mesma. Olha em sua volta e vê que não há tantas pessoas conversando como ela imagina e percebe que deve ser só a dor de cabeça que deve ter aumentado o som das vozes destes desconhecidos. O avião pousa, mais meia hora pra que ela possa sair dali. Todo o processo de saída. O esbarra-esbarra de pessoas, alguns pedidos de desculpas, alguns olhares tortos, outros mais simpáticos, mais silêncio e sua mente não se distrai do foco. Chama um táxi, está tarde, sabe que pagará mais caro e isso a enfurece, mas tudo bem, ela já esperava. Precisa ir pra algum hotel perto da rodoviária, não pode ir à casa de suas amigas mesmo que queira tanto contar a elas tudo o que está acontecendo. Mas sabe que se parar, por mais que sejam algumas horas, para ouvir a opinião de alguém sobre a decisão que está tomando, vai desistir. E desistir está fora da sua realidade naquele momento.

Sequências antes de partir

Chamar, olhar, chegar, sentar, falar, falar, beijar, falar, ir pra qualquer lugar, se amar, falar, se despir, falar, gritar, apertar, chorar, gemer, rir, lamber, falar, sussurrar. Mostrar toda a escuridão, todo o amor, ser pura, verdadeira, nua e crua só por um momento e depois partir.

Partir pro desconhecido, pro novo, pra qualquer lugar onde você não esteja. 

A minha eternidade

Só eu sei o quanto somos lindos juntos, mas não somos feitos pra passarmos a eternidade, que todos dizem, juntos. E é aí que eu vejo que a minha eternidade durou apenas alguns anos, é onde vejo que o amor pra ser verdadeiro não precisa dar certo. 
A gente fica com essa concepção ilusória dos relacionamentos: o que é verdadeiro não vai embora, se foi embora, sempre volta. Sei lá, pra mim é tudo balela. O que é verdadeiro marca e é só isso. Eu fui verdadeira do meu jeito, eu dei a minha alma pra ele, mas isso não é sinônimo de que deveria ser “para sempre” e ele sabe disso.
Caso vocês se perguntem por que eu sumi daqui, é porque estou aqui http://inmissie.tumblr.com
(:
Beijos!

Noite perdida

Fugir seria uma atitude grotesca da minha parte. Mas já não sei se escrevo sobre quem amo ou sobre quem eu deveria amar. Estou um tanto confusa, o suficiente para me tirar o sono. Vivo fantasiando, sonhando com momentos e situações, boas e ruins, e acabo me esquecendo da dura realidade que é se enfiar no poço dos sentimentos envolvendo indivíduos quase inocentes.
 Os mesmos indivíduos que me fazem perder o sono.

Monstros

É fácil ficar escrevendo sobre o amor, sobre o quanto sofre e a desilusão. Mas ninguém quer tentar escrever sobre a escuridão e monstros que guarda dentro de si mesmo, não é?

Seu escape

 Hoje eu olho para você e vejo alguém que tenta mostrar ser forte, alguém que tenta passar auto-confiança e que está bem. Mas eu sei que no fundo, você não é forte e espera o dia inteiro por aquele momento em que você está sozinho, onde pode chorar, gritar e colocar pra fora tudo aquilo que você esconde para todos.
(Fabricio Pereira)