Cena de uma nostalgia

Ela estava muito empolgada pra avisá-lo. Decidiu se adiantar, "pra que dar a notícia se eu só posso chegar lá?"
Já era tarde, entrou no carro e foi. Quatro horas longas e cansativas de viagem, nem dormiu. Mesmo sabendo que chegaria tarde o suficiente pra não poder vê-lo. Chegou. Tirou as malas. Se alojou e foi dormir, sentiu o sabor do ar, podia senti-lo. Era a sensação de saber que já estava a alguns passos dele. Olhou para aquele céu tão estrelado, o qual não via já fazia tempo. Sorriu. E se concentrou no silêncio. Quando menos esperava, dormiu. Sonhou. Acordou. "É hoje", pensou ela. Se arrumou, é impressionante como se apega a todos os detalhes quando está naquele lugar, por que ela se transforma assim? É tão encantador. Foi pra onde sabia que ele estaria. Estúdio. Aquela barulheira, suor e coisas masculinas. Estava em frente à porta, recuou. E quando ia abri-la, desistiu. "Eu posso estar atrapalhando", mas como é que pode pensar isso? Você não o vê a tanto tempo e acha que está atrapalhando? Pobre garota. A certa altura você poderia fazer o que quisesse.
Bom e foi como se eu tivesse dito aquilo à ela naquele momento. Ela entrou. Olhou para ele e sorriu. Ele, com a guitarra na mão, sem camisa, cabelos molhados, molhado, olhou de volta e mudou de expressão tão rapidamente como se tivesse visto algo que quisesse ter a tanto tempo e agora o tem. Pediu para esperá-lo mais alguns minutos sem largar a guitarra. Ela se empolgou e então saiu, achou que fosse demorar, mas logo ele abriu a porta. Ela se virou e olhou pra ele, não sabia o que dizer. Sorriu e disse apenas:
- Oi
- Oi
A respiração dele era ofegante e ele não parava de sorrir.
- E aí rs
- Quando você chegou?
- Ontem a noite
- Ah, nossa rs
E se olharam como se fosse a primeira vez, mas ele estava encharcado de suor e ele sabia disso
- Olha, eu não vou te abraçar porque estou muito suado e fedendo.
Ela fingiu que se importou e forçou uma cara de nojo.
- É né, rs estou vendo
E não sabiam o que dizer, queriam se abraçar, se beijar. Ela então agiu:
- Ah, dane-se, vem cá.
E se abraçaram, riram, como se tivessem acabado de se conhecer. Ela não se importou com a situação em que ele se encontrava, se tinha atrapalhado, se ele estava ocupado, se todos estavam ali.
Ela só queria os braços dele novamente.
Ela só queria tê-lo.
Porque já era tempo demais pra conseguir se conter. É tempo demais pra que eles achem que podem viver sem o outro. Demais para que sejam dois. Agora, um.

0 Dê sua opinião:

Postar um comentário